Segundo o Wikipedia, vernissage é um evento cultural prévio à
inauguração de uma mostra de arte onde pintores, escultores ou fotógrafos expõem seus trabalhos com a finalidade de que os convidados (idealmente os chamados ‘formadores de opinião’) conheçam as obras do artista e a divulguem. O Wikipedia não menciona nada sobre serviço de bar, mas a colunista assegura que sem a oferta generosa de goró, os tais formadores de opinião dificilmente iriam se locomover até o local da já mencionada vernissage, apenas pelo louvável objetivo de ampliar sua cultura artística.
A vernissage onde ocorreu o despretensioso, porém nem por isso menos educativo colóquio, acolheu as obras de um pintor de certo prestígio, cujo trabalho artístico na realidade nem era do meu interesse, mas naquele dia bateu aquele já famoso MFF – ou seja – Medo de Ficar de Fora: vai que tout le monde and their brother estará lá, sabe como é.
Num determinado momento me encontrava num grupo simpático e totalmente heterogêneo. Isso é bacana, é pena que não ocorre com mais freqüência, geralmente é aquela coisa de cada um procura sua tribo. Como vinha dizendo, o grupo era heterogêneo, umas cinco ou seis pessoas, entre as quais um arquiteto dos mais famosos, talentosos, posso dizer reverenciados, tipo um dos top 3 do Brasil; absolutamente 50+. Eu, que também sou – 50+ – não detentora dos superlativos anteriores, hehehe. E uma garota, 20+, mais perto dos 20 do que do mais. O garçom já havia passado várias vezes com a bandeja de prosecco, de modo que o papo fluía descontraidamente. E o assunto chegou a relacionamentos amorosos.

Todos nós contribuímos com algumas amenidades, próprias para a situação – roda de coquetel com semi-estranhos – quando a garota entregou sua opinião: “Todo mundo que é solteiro quando sai ou vai numa festa está a fim de encontrar aquela pessoa especial”. Ela falou de um jeito tão doce e singelo, com a sinceridade da juventude, que ninguém discordou. Ficamos quietos por alguns minutos, talvez pensando no que acabávamos de ouvir. Quem falou primeiro foi o arquiteto: “A coisa que eu tenho mais medo na vida é acabar sozinho”.
Foi aí que pensei em escrever sobre isso na minha coluna.
Agora vou contar uma outra história, também verídica, que se passou há alguns (muitos) anos. O protagonista é o Theo, um primo do meu pai, de Budapeste, Hungria, que vinha com certa freqüência visitar o irmão no Brasil; este sim morava em São Paulo.
Certa feita Theo veio jantar em minha casa e ao saber que eu havia me separado do segundo marido me contou a seguinte história:
“Veronika, você sabe que eu sou diretor superintendente do Ministério da Indústria Textil que compreende um grupo de fábricas em Budapeste. Um belo dia minha secretária me pergunta se eu poderia receber uma de nossas operárias, pois esta pediu para falar comigo. Jamais uma operária entrou na minha sala, qualquer problema seria levado ao gerente ou supervisor da área dela. Mais por curiosidade do que qualquer outro motivo, concordei e mandei chamá-la.
‘Dr. Theo, pedi para falar com o senhor porque gostaria de ser transferida para outra fábrica.’
‘Por que? Seu salário será o mesmo, seja onde for.’
‘Não se trata disso. Ocorre que eu fiquei viúva há alguns meses. Tenho um filho pequeno, durante o dia minha mãe fica com ele, no fim do serviço eu pego. Meu filho é um doce, mas eu ainda sou jovem e quero reconstruir minha vida. Não sou mulher de sair à noite, então o único lugar onde posso conhecer uma nova pessoa seria no trabalho. E nesta fábrica, já vi que não tem ninguém para mim. Por isso eu peço que o senhor me ajude. Por favor, me arranje uma transferência – quem sabe eu tenho uma chance num outro lugar.’
Não só arrumei a transferência dela, como ainda procurei levantar o contingente masculino e solteiro nas diversas fábricas que dirijo.
Para terminar Theo me olha com a maior seriedade e pergunta: Agora, Veronika, me diz: o que você está fazendo de positivo para arranjar um novo companheiro?”
(Não perca a continuação na próxima semana!)
Veronika Vajda
http-//artehall.com.br
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