Para refrescar a memória dos caros leitores – ou colocar a par quem
está chegando agora – o assunto é a importância de ter um parceiro para repartir a vida. Num papo informal de coquetel, foi comentado por uma moça atraente e muito jovem, que ‘todo mundo que é solteiro quando sai ou vai a uma festa está a fim de encontrar aquela pessoa especial’. No pequeno grupo onde eu estava também, havia um arquiteto famoso, um dos mais prestigiados na profissão, divorciado e decididamente 50 (bem) mais. Enquanto todos estavam quietos, quem sabe pensando se concordavam ou não com a afirmação da garota, o arquiteto foi o primeiro a falar. Baixinho, quase como se fosse somente para si mesmo: “A coisa que eu mais tenho medo na vida é acabar sozinho.”

Admirei muito a sinceridade dele em verbalizar um sentimento tão particular em público. A maioria dos homens não teria essa coragem. Creio que as mulheres também não.
Já me ocorreu inúmeras vezes que qualquer um de nós, homem ou mulher, se ficasse desempregado por qualquer motivo (ainda que seja um assunto de difícil abordagem) não hesitaria em contatar seus amigos (os mais próximos e eventualmente outros nem tanto), além de lançar mão de todos os possíveis canais de comunicação, informando que está à procura de uma posição. Será que porque emprego é de primeira necessidade, enquanto ter um parceiro para a vida – ou um simples namorado – não é?
Todo mundo já viu (por exemplo) no Facebook pessoas pedindo para que seus conhecidos doem sangue para o cunhado do sobrinho do vizinho de sua sogra. Procurar lar adotivo para gato abandonado ou postar foto de cachorro perdido é o que mais tem. Cansei de ver usuários de todo tipo de media social contando suas experiências mais tétricas nas clínicas de reabilitação para viciados em droga ou álcool, com detalhes minuciosos do delirium tremens e demais sintomas de abstinência. Sem falar nas doenças de todo tipo, desde uma gripe forte ou dengue até tratamento de quimioterapia, passando por cirurgia, irradiações ou injeções nas partes mais privadas da anatomia – tudo isso com foto pessoal, incluindo nome e endereço (virtual, mas é endereço do mesmo jeito). Ou seja, tudo pode ser repartido no Face – com praticamente – everybody and their brother. Quase que com a torcida do Corinthians.

Agora o que eu nunca vi é – homem ou mulher – dando um toque, ainda que de leve, informando seus amigos que gostaria de ser apresentado a alguém interessante entre as pessoas das relações destes mesmos amigos. Estou dando como exemplo o Face, porque é o mais popular entre nós, não conheço ninguém que deixe de acessar este meio se não todos os dias, ao menos com bastante freqüência. Tudo bem, nem todos os – em média 389 friends – deste meio de comunicação são de fato nossos amigos, mas ainda assim compartilhamos uma série de coisas em comum mesmo com aqueles que não conhecemos pessoalmente: a profissão, um hobby, esporte ou interesse cultural – afinal foi assim que acabamos aceitando suas solicitações de amizade. Ou vice-versa.
Será que é motivo de vergonha dizer assim: ”Você tem alguém no seu círculo de amizades que eu gostaria de conhecer? Uma pessoa que – na sua opinião – tem algo a ver comigo?”
Por que Tinder é melhor que isso? Ou o Par Perfeito? O B2 ou qualquer outro do gênero? Ou o boteco da esquina?
Será que nossos amigos achariam que somos carentes? Que ninguém nos quer? Não sei. Eu mesma nunca fiz nada disso.

Agora lembrei, acho que foi no ano passado. Meu filho compartilhou, somente na minha página, um vídeo feito por um jovem norueguês. O texto dizia que o rapaz, cuja mãe era uma senhora divorciada, sem ela saber, filmou as atividades dela durante quase um ano com o objetivo de fazer um clipe para postar no Facebook – sim, a fim de arrumar um namorado compatível para a mami. Acho que a idade dela não foi informada, mas certamente era 50mais e sendo do norte da Europa não usava nenhuma maquiagem, apresentava cabelos meio grisalhos e em nenhuma das cenas aparecia de salto alto. Em compensação era esportista, fazia trilha e natação e tinha um corpo firme e malhado. Não me recordo de mais detalhes, só sei que era um vídeo simpático e as descrições dos gostos e hobbies da dela eram bem humorados e carinhosos.
Não fiz o follow-up para saber se o filho da norueguesa arrumou namorado para a mami, de qualquer forma, meus queridos, fica a dica.
Veronika Wajda
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