Escrever sobre os fazedores do bem nos dias de hoje tornou-se uma necessidade e ao perceber isto senti estranheza ao constatar o quanto estamos propensos e carentes de exemplos e direções em nossas vidas.Não é o natural em nós viver e tentar fazer o bem? O que acontece no planeta Terra que ainda no século XXI o homem não aprendeu a ser feliz?
Pensei a princípio escolher uma personalidade que nos emociona ou admiramos e que suas ações demonstrem uma transformação, influência e cura na vida das pessoas. Papa Francisco e sua Encíclica “Laudato Si” sobre o cuidado da casa comum, o planeta Terra e a sua influência positiva. Mas este é um exemplo muito especial e aqui estamos conversando com pessoas comuns, como você e eu e nossos pequenos exemplos existenciais. Somos espelhos em nossa família, trabalho e no mundo. Não é preciso ser um exemplo grandioso.

Recriar a vida junto. Lembrei-me da mãe de uma amiga, que desfez o casamento depois de quarenta e tantos anos e, de repente ficou sozinha, numa casa enorme e vazia. Os filhos e netos independentes já estavam integrados com seu ritmo de vida. Não sei o que ela sentiu. Mas o que fez modificou a vida dela e seu entorno. Percebeu que no condomínio onde morava, outras pessoas viviam a mesma situação. Começou convidando-as para um encontro, um passeio, um evento e esta iniciativa transformou sua vida e a das pessoas que se uniram a ela. O grupo do terço, do tricô, da colcha patchwork recriam vidas.
O “fazer o bem” escreve Larissa MacFarquhar em seu livro “Stranger Drowing” (Estrangeiros Afundando?) mostra como é possível viver a ética. Este “disparate” altruísta está imbuído da prioridade de ajudar o outro. Mostra a beleza e o valor de uma existência moral. Para MacFarquhar as pessoas deveriam ser boas todo o tempo.
E não sabemos disso desde que nascemos?
Aí encontramos pessoas como Karen Armstrong que fala sobre “A perdida arte do diálogo”. Criadora do Charter for Compassion, focado em promover a compreensão e a paz no mundo. A forma como falamos uns com os outros. O trabalho dela une religião e filosofia para alertar sobre a importância da regra de ouro como base da convivência em sociedade. Busca nos filósofos Lao Zi, Sócrates e Platão uma resposta para a violência no discurso cotidiano. Como a capacidade de diálogo, alicerce do ensinamento Socrático tornou-se uma competição para derrotar e humilhar os oponentes. O que acontece com um mundo em que as certezas se desfazem?

Fazer o bem a começar por cada um de nós. Fazer o bem a você. Salvar-se para salvar o outro. Nos ensinamentos cristãos a “salvação” consiste na arte de curar-se e estar bem no mundo para não projetar o sofrimento no outro.
No budismo encontramos a arte de ultrapassar o sofrimento e encontrar a compaixão. Mas a compaixão começa em você.
“Senhor, eu me ajoelho e ofereço minha palavra alada, e estou tentando muito me encaixar na sua ordem das coisas”
David Bowie – 1947-2016
Capa – www.club50mais.com.br
http-//encenasaudemental.net
https-//www.icrc.org
Club50mais




