Em “Cidade Transparente”, Eduardo Lunardelli passeia livremente através
da fronteira… que existe entre o que é considerado visível e o que é invisível. Este limiar é delimitado pelo alcance de percepção de nossos próprios olhos. Claude Monet disse: “O erro está em tentar reduzir a percepção do mundo a nossas limitadas dimensões pessoais. É importante ampliar suas percepções para captar as mudanças continuas da natureza; a realidade nunca é a mesma, ela flui sem cessar.”
Os Vedas, há mais de 4.000 anos, já procuravam a conexão entre o mundo visível e o invisível através da espiritualidade sensitiva e também por meio da fabulação épica, em infinitas incursões ao fantástico mundo invisível. Eles sabiam que lá se encontram as raízes e matrizes do chamado mundo real. Portanto já haviam descoberto a narrativa como nossa melhor tentativa para desvendar algum sentido no caos da existência.
Acredito que o mundo virtual sempre existiu, porém como era invisível, só podia ser acessado por meio da imaginação. Milênios mais tarde, a humanidade deu o Salto Maior: criou a eficientíssima linguagem digital, processada pelo infalível computador, ambos potencializados pela internet e, pronto: o espaço virtual passou a ser visível. A partir daí, o homem, manejando estas mirabolantes ferramentas, empurrou para muito longe as fronteiras do impossível e assim passou a acessar e compreender outras dimensões, o que sempre foi seu anseio primordial. A capacidade de processamento de ideias mutliplicou-se milhões de vezes. O compartilhamento criativo transformou-se em novo poder.
Foi justamente ai que vindo de muitas vivências de vidas bem vividas, munido de sutis percepções do mundo real e também do invisível, já com mais de 60 anos, Eduardo tornou-se um fértil escritor. Como disse o escritor português Jorge Teixeira, Eduardo encontrou porventura ou por ventura, seu alter-ego na blogosfera.
Equipado com disciplina antiga; ativado por sua mente indagadora, ele ataca continuamente seu Moleskine digital e lá deixa suas anotações, impressões, crônicas, insights, fragmentos do Todo, que se tornarão sementes de seus vários livros.
Consultando suas Hierophantes particulares, estas lhe revelaram a existência do sagrado mundo invisível.
Ora garimpando suas memórias vividas, adicionando-as a memórias inventadas. Ora evocando lendas pessoais, no limiar da verdade factual. Ou simplesmente enfrentando os portais do desconhecido, todo santo dia e nos dias profanos também, Eduardo escreve, escreve e reescreve. Ele é um verdadeiro operário da escrita.
Eduardo possui o mérito de não buscar a originalidade de supostas vanguardas. Ele escreve como quem É, porque sabe do desejo universal de ouvir historias, boas historias.

Como verdadeiro artesão da literatura fantástica, trata de fazer com que num cenário plenamente verossímil, ocorram alguns fatos inverossímeis. Esta é sua regra.
Sabendo também que os seres humanos estão aturdidos como nunca, presos aos pesadelos que eles mesmo criaram, com passes de realismo mágico ou mesmo de poesia, Eduardo vai procurando desvendar novas passagens para horizontes mais abertos onde o leitor possa caminhar sem sobressaltos.
Assim Eduardo, muito rapidamente tornou-se um escritor multifacetado, original curioso, de quem me orgulho de há tanto tempo ser amigo próximo, mesmo que fisicamente distante estes últimos anos. Mas Montaigne disse: ”A amizade tem braços suficientemente longos para que possamos nos abraçar através do espaço (e porque não, do tempo).”
Procurei criar aqui uma descrição viável de Eduardo. E como não considero um delito o plagio bem intencionado, recorro mais uma vez ao talentoso escritor português Jorge Teixeira, para me ajudar a definir o autor:
“Eduardo é reservado e observador. Sabe ouvir. Quando fala é assertivo entusiasta. (Aliás entusiasta permanente). Simultaneamente ponderado e firme. Discreto e exuberante. Abrangente e teimoso. Pensa rápido e age depressa. Seguro de seus ideais e certo de seus propósitos. Permanentemente impaciente, na obsessão de criatividade tumultuosa…..”
Adiciono: de espírito eternamente jovem, sempre aberto para todas as mudanças em Tudo, Eduardo não tem medo de sua própria multiplicidade.

Selfie: Eduardo
LunardelliComo me interesso muito em mensagens deixadas por pessoas que formataram a Historia, para terminar este prefácio, transcrevo aqui algumas delas. Somadas formam uma sinergia de pensamentos poderosos:
“Ensinaram as pessoas a serem racionais, realistas, concretas. Tolices. Elas deveriam ser sonhadoras, inocentes, extasiadas, capazes de criar euforia” OSHO
“Resolvi ser feliz porque faz bem a saúde” VOLTAIRE
“A felicidade costuma ser adiada pela razão” C.FOURRIER
“A imaginação é mais importante do que o conhecimento” A.EINSTEIN
“Partículas (matéria) são apenas aparecimentos. (é um momento definidor da própria energia)” EDWIN SCHRODINGER
“A raiz de todo sofrimento é a ignorância” BUDHA
Prefácio de Oivier Perroy para o livro Cidade Transparente de Eduardo Lunardelli




