Ela olhava pela janela e via o dia escorrer lá fora sem ter coragem para se vestir, tomar banho ou falar com alguém. Estava sofrida, mais velha, não se entendia direito e quando o marido chegava em casa no final da tarde, ainda não tinha se vestido, estava de camisola.
O marido perguntava como tinha sido o seu dia e ela dizia, tudo igual. O marido tinha saído cedo e ido para a cidade trabalhar enquanto ela ficara ali prostrada em silêncio, sem se compreender direito. Seu companheiro ficava desanimado ao encontrá-la assim sem nenhuma alegria com a vida.
O sol não lhe alegrava, nem a chuva, a comida era insípida, comia pouco e mau. O sofrimento da alma era grande, pensava no passado o tempo inteiro, naquilo que a tinha feito feliz e não encontrava mais felicidade em nada, estava vivendo um oco, um vazio imenso.
Essa descrição é de uma mulher deprimida, o que fazer?

Seria a síndrome do ninho vazio, do vazio da sua própria existência?
Teria essa mulher se interessado realmente ao longo da sua vida, por si mesmo ou teria dedicado sua vida ao marido, aos filhos, a sua casa e mais nada.
Teria ela trabalhado e estaria nesse momento aposentada?
Eu aconselharia essa mulher mais velha a consultar um psicanalista para poder se entender, para entender aonde e em que momento foi se desinteressando pela própria vida.
Eu diria que em qualquer uma dessas hipóteses, essa mulher precisaria de umas boas conversas para resgatar sua vida, sua libido em geral, sua sexualidade, seu compromisso com o marido, sua higiene, sua beleza.
Ou mesmo sem ter um marido, sua relação de mundo onde cada manhã ao nascer do sol, somos iluminados para mais um dia. Há amizades, filhos, netos?
Pensar demais no passado, naquilo que existiu e já não existe mais trás consequências gravíssimas.
O passado ficou para trás e nós precisamos lidar com o presente, aqui e agora, com aquilo que ainda temos que é nossa energia vital.
E também não adianta muito pensar no futuro, que ainda não chegou. Que não temos noção de como será para cada um de nós.
E o que temos aqui e agora?
Temos a própria VIDA.

Acordar pela manhã e ver o sol nascer é um presente do Universo. Uma renovação de que teremos mais um dia para viver. Para a mulher que está aposentada, fazer seus exercícios físicos diários, cuidar dos cabelos, ir ao super mercado podem se transformar em orações diárias de alegria e felicidade e dizer ESTOU VIVA! E ter muita, mas muita esperança. Reencantar-se ao arrumar um jarro de flores, ascender uma vela cheirosa antes do companheiro chegar. Ou mesmo antes da amiga vir para um chá no final da tarde. Tomar vinho com canapezinhos revigora a vida e o entardecer fica mais lindo. Podemos meditar sobre nossas vidas de uma maneira mais saudável, pensando no que eu poderia fazer amanhã? Por exemplo vou fazer uma sobremesa ou vou trabalhar para uma ONG. Visitar o site 50+ e fazer um dos nossos cursos, ler um de nossos colaboradores, pode renovar seu espírito identificando-se com muitas mulheres e homens que também estão nessa faixa de idade e que escrevem por aqui.
A visita a sua psicanalista pode ter sido boa, mas sem seu esforço pessoal para entrar novamente em contacto com a vida, nada adiantará. Tudo está dentro de nós. Somos responsáveis por tudo o que acontece diariamente conosco.
Marilda Machado
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