O único “sem” que todos (ou quase todos) invejam é o casamento (de papel passado)
sem coabitação. De fato, uma boa solução que para mim não é nova. Já adotei nos primeiros anos do meu primeiro casamento, nos idos de 1969. Queríamos viver como Sartre e Simone. Modernos…
Não sei você, mas eu faço parte do grupo dos “sem“ expandido. Das pessoas…

… sem carro
… sem carne (sou vegetariana)
… sem lixo ( * )
… sem empregada
… sem banheiro de empregada
… sem trabalho (mas com ocupação)
… sem casamento com coabitação
… sem alopatia (me trato com homeopatia há cerca de 40 anos)
… sem pintar o cabelo
… sem cirurgia plástica (nem das pálpebras)
… sem prazo
… sem pressa
Por que grupo dos sem expandido? Por que conheço pessoas que são sem isso e sem aquilo; ou só sem isso ou só sem aquilo. Mas não tenho nas minhas relações pessoas com tantos “sem”.
Esse acúmulo de “sem” remete a uma frase que li na exposição do fotógrafo Robert Frank outro dia no Instituto Moreira Salles na Paulista:
Sempre achei que o modo como se vive já é em si uma atitude política.
Tudo a ver …
Até há muito pouco tempo, eu era também da turma do Caetano e do Ruy Castro: sem celular. Mas acabei me dobrando por causa do Uber. E confesso que estou um tanto ou quanto arrependida. Quem sabe volto atrás?
A contrapartida desta coleção dos “sem” é outra coleção de “sem”:
sem pressão alta
sem colesterol alto
sem diabetes
sem sobrepeso
sem insônia
sem doenças crônicas
sem cirurgias
Enfim, sem a maior parte das mazelas de que as pessoas ao meu redor se queixam e as levam a se entupir de remédios.
Curioso como as pessoas reagem ao meu estilo de vida “sem”:
– Mas não come nem peixe? Nem frango?
(não; e se as pessoas insistem, confesso que sou indelicada – não como cadáver, explico)
– Mas não tem nem faxineira?
(não; aproveito pra fazer exercício)
– Mas quando vier o técnico da máquina de lavar, que banheiro vai usar?
(um dos dois da casa, oras! E, cá entre nós, quantas vezes vem o técnico?)
– Mas não vamos deixar você ficar de cabelo branco: envelhece
(mais do que aquele cabelo escurão?)
– Mas e como você faz pra viajar?
(alugo um carro)
O único “sem” que todos (ou quase todos) invejam é o casamento (de papel passado) sem coabitação. De fato, uma boa solução que para mim não é nova. Já adotei nos primeiros anos do meu primeiro casamento, nos idos de 1969. Queríamos viver como Sartre e Simone. Modernos…
Depois veio a roda viva e levou o destino pra lá. Ou melhor, vieram os filhos e houvemos por bem morar juntos de novo.
Há quem ache que eu ainda esteja voltando de Woodstock a pé. Vai ver que estou …
( * ) a bem da verdade, lavo e separo bem separadinho o lixo reciclável (em papel branco, papelão, plástico, vidro, alumínio, tampas) e levo num ecocentro que recolhe tudo em contêineres compartimentados. Desse jeito, reduzo bastante o lixo comum. Agora a meta é reduzir o lixo como um todo, principalmente o reciclável. Mas já sou superatenta a isso, recusando, por exemplo, sacolas plásticas e de papel nas lojas quando faço compras (tenho sempre uma sacola de pano na bolsa para esse fim).
Saudações !
E até o próximo.
Mônica Soutelo

Imagens – Google
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