O que significa ser humano no século XXI? Vamos recriar nosso destino?Construir nosso destino – Hoje com as grandes crises humanitárias e sociais, a urgente reversão climática, os escândalos ecológicos e de corrupção, os avanços tecnológicos e as mutações socioeconômicas, como também as dramáticas confrontações internacionais…tudo nos intima, convoca a agir e tomar nas mãos nosso destino. Somos os autores, os compositores de nossa existência. O que estamos fazendo para construir a nossa história? A história de cada um de nós.

Recriar a vida junto –Diante de uma crise geopolítica e civilizatória onde culturas, identidades nacionais e religiões se tornam mais rígidas e são instrumentalizadas uma grande mobilização internacional aparece como uma resistência pacífica diante do aparecimento do sectarismo e do obscurantismo. Grandes manifestações nas ruas, nas cidades em todo o mundo.
Apesar dos processos de globalização que nos conecta a todos cada vez mais, as culturas e modelos de vida continuam a ser não somente diversos mas também divergentes. Num nível planetário “viver junto” é muito mais complexo que se esperava ao mesmo tempo que muitas das grandes utopias e universais ideologias reaparecem para serem novamente discutidas e apresentadas. Surge a criação de um fórum, um lugar onde vozes dissonantes possam ser ouvidas, se mobilizar para se exprimir livremente, responder ao desejo de emancipação criativa dos cidadãos do mundo buscando a arte de construir uma nova sociedade, com uma visão “rethinking togetherness” (repensar juntos) inspirada numa cultura compartilhada.

Adotar o outro em harmonia. A união fraterna. São conceitos que ouvimos desde o nosso nascimento e o planeta ainda hoje continua dividido e em discórdia. O aparecimento de uma cultura global e a necessidade de aderir e participar dos grandes debates do mundo nos convida a renovar o debate democrático e a reinventar a arte de viver junto. *
Recompor a natureza – Encíclica do Papa Francisco
Um trecho da encíclica comenta a atitude de São Francisco diante da natureza: “São Francisco mostra-nos que uma ecologia integral requer abertura para categorias que transcendem a linguagem das ciências exatas ou da biologia e nos põem em contato com a essência do ser humano. Tal como acontece a uma pessoa quando se enamora por outra, a reação de Francisco, sempre que olhava o sol, a lua ou os minúsculos animais, era cantar, envolvendo no seu louvor todas as outras criaturas.

Se nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe, então brotarão de modo espontâneo a sobriedade e a solicitude. A pobreza e a austeridade de São Francisco não eram simplesmente um ascetismo exterior, mas algo de mais radical: uma renúncia a fazer da realidade um mero objeto de uso e domínio.” *1
Restabelecer a nós mesmos
Num período histórico de pessimismo é possível nos beneficiarmos com um pessimismo saudável? Já encontramos esta tendência que explora resultados positivos e criativos encontrando soluções e abraçando a nossa “sombra”, a escuridão e nossos problemas aceitando trabalhar seus significados, a melancolia.
A natural escuridão é a metade da vida humana, uma metade da vida na Terra, uma metade de cada um de nós. Paul Bogard, autor do livro The End of Night Searching for Natural Darkness in Age of Artificial Light *2

Ao escrever este texto pensando neste homem e mulher do século XXI e ao finalizar neste conceito do restabelecimento de nós como seres humanos senti que talvez como fazia São Francisco um pedacinho de nós pudesse se enamorar de novo, do nosso marido, do nosso irmão, amigo, do nosso trabalho, da natureza e de tudo. E se não for exigir muito do exercício de nosso afeto tentar uma empatia com o estrangeiro divergente que surge, o oponente ideológico gritante e com a dissonância do universo.
* Percler´s
*1 Encíclica Laudato Si´
*2 Bureau WGSN
Ina Rodrigues
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