Há exatamente 20 anos, escrevi um artigo sobre a necessidade de se fazerem
cópias de segurança periódicas, para tentar preservar alguma informação dos computadores. De lá para cá, tenho observado que pouquíssimas pessoas adotaram este procedimento e a imensa maioria do pessoal não faz cópias nem por hobby. Assim, resolvi reeditar aquele velho texto, com algumas atualizações, para ver se essa turma se manca, toma vergonha e resolve fazer uma copiazinha de vez em quando.
Este nosso velho amigo sempre aparece nas rodinhas de conversa, como quem não quer nada, aos poucos vai monopolizando os assuntos e você começa a suar frio ao se lembrar que o seu computador não sabe o que é um bom back–up há meses. Leia com atenção os contos de fadas a seguir. Quem sabe essa ideia se torne um pouco mais presente no nosso dia-a-dia. Incluo-me nessa turminha, já que é fato corrente que existem dois tipos de usuários de computador: os que já perderam arquivos preciosos e os que ainda vão perder. Mas cuidado! Você não deve lê-los antes de dormir, pois não são dissertações flácidas para acalentar bovídeos.
A Secretária Borralheira
Era uma vez um patrão que prometeu à sua secretária que todos os seus problemas iriam desaparecer quando chegasse o computador. Quando isso aconteceu, ela percebeu que seu serviço de digitação quadruplicou, adquiriu tendinite no braço direito, devida à má posição do mouse, ficou com sinusite crônica por causa do ar condicionado e não sabia mais o que era a luz do dia, pois sua nova sala não tinha janelas. Numa bela tarde de primavera, véspera de pagamento, ela escreveu seu pedido de demissão, imprimiu duas cópias e deu o comando EXCLUIR TUDO apagando alegremente o disco rígido inteiro. Moral: faça back–up e aprenda a recuperar arquivos apagados.
O Bufão do Convênio
Num lindo e distante reino, um funcionário de uma administradora de convênio de saúde recebia, diariamente, várias dezenas de comprovantes de prestação de serviço transmitidos pelos profissionais credenciados. Havia um lindo programa de conferência, crítica e preparação de um, também lindo, arquivo para pagamentos no final do mês. Todo dia, esse funcionário fazia um back-up para pen drive. Depois de algum tempo, o pen drive começou a apresentar falhas. O computador exibia uma mensagem do tipo “a unidade de armazenamento em massa apresentou uma falha.”. Na janela de diálogo havia um botão OK e um botão CANCELAR e o funcionário percebeu que clicando no OK tudo funcionava legal e o processo seguia sem tropeços. No final do mês, o convênio tinha um funcionário a menos, os credenciados tinham dinheiro a menos na conta e o administrador tinha cabelos a menos. Moral: faça back–up e treine adequadamente o pessoal de operação do PC.
O Gato de Toucas
O pessoal responsável pelo back-up dos computadores de uma empresa, responsavelmente, executava as cópias de segurança, diariamente, em modernas unidades de DVD de alta capacidade e, irresponsavelmente, armazenava-as em armários (que mários?) perfeitamente trancados ao lado dos computadores. Certo dia, um incêndio varreu o andar do prédio onde funcionavam as máquinas Estas foram perdidas, e os DVDs também. A informação sumiu, irremediavelmente. Um acidente acidental, é claro. Moral: faça back–up e guarde-os em local diferente de onde estão os computadores.
The Day After Lunch
Num país longínquo, onde a gasolina é barata, ocorreu um acidente num centro de pesquisas nucleares. Uma pequena caixa contendo plutônio apresentou um vazamento e todo mundo saiu correndo depois dos alarmes terem disparado. E era hora do almoço. O serviço nacional de descontaminação radiativa lacrou o prédio e isolou o quarteirão por 20 anos. A informação contida nos computadores e nos discos, que eram guardados no prédio ao lado, será de pouca valia daqui a 5 anos, quanto mais daqui a 20. Moral: faça back–up e guarde-os noutro bairro!
A Festa no Céu, Depois das Seis
Há muito tempo, num passado distante, um amigo liga-me numa noite chuvosa, aos prantos, porque o seu winchester (hoje eles chamam de HD) tinha “miado”. Eu, obviamente, formulei a pergunta tradicional: “Você tem um back-up?” A resposta, é claro, também foi tradicional. Como sói acontecer, a interferência murphológica foi tamanha, que o drive de DVD resolveu dar pepino no dia anterior, no meio do processo de cópia, e ele estava sem discos reservas disponíveis para gravar . Era uma sexta-feira, 18:18h (bom número para jogar no bicho!), o que o fez deixar uma mensagem na secretária eletrônica para o técnico ir ao seu escritório na segunda-feira, pela manhã, com urgência. A vítima não tinha mesmo culpa; foi uma conspiração das leis imperscrutáveis das probabilidades improváveis que caíram todas ao mesmo tempo na cabeça dele. Moral: faça back–up e mais back-up.
O Enigma de Andromedário
O colega dentista deixou o filho experimentar um gamezinho do DVD pirata do amiguinho, que trouxe da escolinha, por 5 minutinhos, na mesinha da secretária do consultório. Um viruzinho, conhecido como bomba-lógica, saiu do joguinho e detonou fisicamente o discão do colega. Ele vai ter de comprar outro. Só que o cadastro dos pacientes já era. Moral: não tenha filhos!

Salvador Laviano Neto
slaviano.n@gmail.com
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