Palavras quase sempre estranhas, de sentido obscuro e aparência suspeita,
são comuns em ciência. Quase sempre servem para simplificar, embora aparentem o contrário. Se quiser entrar neste universo de palavrório complicado fechado é bom se acostumar com elas e ter boa memória.
Prefixos são muito comuns, principalmente em informática, para indicar grandes quantidades de memória, velocidade etc. Conhecer o significado preciso desses prefixos pode parecer bobagem, mas é importante, senão você fica assim: Mega o quê? Giga what?

Como as quantidades estão crescendo, precisamos dar nomes a números cada vez maiores. O BIPM, Bureau Internationale des Poids et Mesures, é um organismo internacional que governa o mundo das unidades científicas e uniformiza a Metrologia, ou seja, faz com que as medições de uma coisa feita em um país sejam usadas com o mesmo padrão em outros países Em 1991, ele criou novos prefixos. Assim como kilo é o prefixo reservado para mil, mega para milhão (“megahertz”), giga para bilhão (“gigabytes”) e tera para trilhão (“terabits”), já precisamos contar muito além disso. Agora, temos peta para quadrilhão, exa para quintilhão, zetta para sextilhão e yotta para septilhão. Parece não haver, ainda, muita utilidade prática para eles, embora as mais remotas galáxias estejam a não mais que algumas centenas de yottâmetros da Terra. Mas surpreendam-se! Já se contam yottabytes acumulados na Internet. Já, já, vamos precisar de algo muito além deste jardim.
A lógica na escolha destes termos se nos apresenta um tanto peculiar. Peta deveria indicar quintilhão (“penta” indica cinco em grego). Mas foi tomado por base o mil (103). Desse modo, um quadrilhão é exatamente mil elevado à quinta potência (que dá 1015), daí peta, que é penta sem o n. O mesmo para exa que é mil à sexta potência. Mudaram algumas letrinhas só pra deixá-los mais charmosos e não dar galho na abreviatura. Em ciência, tudo tem uma explicação (seja ela qual for!).
E se você pensa que no mundo microscópico a coisa é diferente, enganou-se de verde e amarelo, se é que não ficou pior. Que tal zepto (10-21) ou yocto (10-24)? Não parecem nomes de cereais matinais ou heróis japoneses? A CGPM, Conferénce Générale des Poids et Mesures se reúne a cada quatro anos, para atualizar, rever, redefinir e inventar coisas para nos divertirmos no mundo alegre da metrologia, e não havia nada de novo, em matéria de prefixos, na 25a. conferência, realizada em de Novembro de 2015. Em 2019, deverá haver uma nova reunião. Quem sabe eles criem algumas unidades pitorescas pra deixar a gente mais feliz ainda.

Mas Austin Sendek, físico da Universidade da Califórnia, não acha que seja o suficiente. Em uma Página do FACEBOOK, ele criou um movimento para criar um novo prefixo. No texto postado na página da campanha, explica que “a análise de muitos fenômenos físicos revela quantidades naturais que ultrapassam a ordem 27 de magnitude”. Propõe o “hella” como prefixo para 1027. Sendek e os apoiadores da causa acreditam que muitas denominações seriam simplificadas. O número de átomos em 120 kg de carbono-12, por exemplo, seria simplificado de 6.000 yottaátomos para 6 hellaátomos. Da mesma forma, o Sol liberaria energia de 0.3 hellawatts, ao invés de 300 yottawatts.
A escolha do nome é também uma sugestão do grupo. Seguindo a tradição de realizar homenagens científicas em suas nomenclaturas, a CGPM poderia escolher “hella” como forma de honrar a Califórnia, estado americano de grandes instituições de pesquisa e ensino (University of California, Davis, University of California, Berkeley, Stanford University, e Lawrence Livermore National Laboratory) e com muitas contribuições à ciência.
Em inglês, e especialmente usada na Califórnia, a gíria “hella” quer dizer “muito” ou fazer referência a uma grande quantidade. Em oposição, acredito que “helli” seria algo para 10-27. Mas a lógica numérica para os prefixos iria para o ralo, então não acho que a ideia pegue.
De qualquer forma, aqui vai a minha contribuição: josta (1027) e joscta (10-27).

Abaixo, vem a tabela completa de prefixos. Assim, se a memória de seu micro crescer demais você não vai ter problema para contá-la. Não é reconfortante?
1024 = yotta (Y), do Grego ou Latim octo, “oito”
1021 = zetta (Z), do Latim septem, “sete”
1018 = exa (E), do Grego hex, “seis”
1015 = peta (P), do Grego pente, “cinco”
1012 = tera (T), do Grego teras, “monstro”
109 = giga (G), do Grego gigas, “gigante”
106 = mega (M), do Grego megas, “grande”
103 = kilo (k), do Grego kilioi, “mil”
102 = hecto (h), do Grego hecaton, “cem”
101 = deca (da), do Grego deka, “dez”
10-1= deci (d), do Latim decimus, “décimo”
10-2 = centi (c), do Latim centum, “cem”
10-3 = mili (m), do Latim mille, “mil”
10-6 = micro (m), do Latim micro ou Grego mikros, “pequeno”
10-9 = nano (n), do Latim nanus ou Grego nanos, “anão”
10-12 = pico (p), do do Italiano piccolo, “pequeno”
10-15 = femto (f), do Norueguês femten, “quinze”
10-18 = atto (a), do Norueguês atten, “dezoito”
10-21 = zepto (z), do Latim septem, “sete”
10-24 = yocto (y), do Grego ou Latim octo, “oito”
Salvador Laviano Neto
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