MENOS É MAIS. Estamos vivendo um momento de pós consumo depois de consumirmos excessivamente durante décadas. Estima-se que a população atual do planeta consome o equivalente a 1.6 dos recursos da terra. Em 2030 – dois planetas. (The Global Footprint Network)

A nossa sociedade de acumulação ilimitada está condenada ao crescimento, baseado na “publicidade, o crédito e a obsolescência acelerada e programada dos produtos”. Calcula-se que a humanidade consome quase 30% acima da capacidade de regeneração da biosfera. Latouche afirma que nos encontramos, hoje, na beira da catástrofe e que é preciso uma reação rápida e muito enérgica para mudar o rumo. (Pequeno tratado do decrescimento sereno – Serge Latouche)
Comunidades em todo o mundo criam alternativas reais para restaurar nossa sociedade. Criam uma economia de baixo para cima e trabalham para restaurar a terra, a partilha da água, a construção das casas, o cultivo dos alimentos, a confecção das roupas, as viagens, o cuidar um do outro, a desperdiçar menos, em tudo. A olhar diferente, a exercer o cuidado e a gentileza com tudo o que nos relacionamos.
Porque escrever sobre tantas aflições, de nossa planeta e sociedade, quando nosso tema é sobre a espiritualidade? Penso que nós somos parte do todo, pertencemos ao universo, somos o pensamento universal. Não estamos separados, isolados. Estamos inseridos no espírito do tempo.
– Revelação da sobriedade – Com o empobrecimento econômico e as ilegalidades crescentes, a crise nos ensina a partilhar, dividir e a fazer mais com menos. Vem nos mostrar que a felicidade pode ser desconectada do material e faz com que as pessoas também como nós possam ser e se sentir ricas. A moderação aparece como sinônimo de uma descoberta espiritual que nos convida a fazer frutificar o pouco que temos e está à nossa disposição e a apreciar a felicidade do ponto de vista epicureano *1 que nos ensina o sentido do essencial para viver mais plenamente.
– Pierre Rabhi (agricultor, especialista em agroecologia, escritor e pensador francês de origem algeriana explica o conceito da “sobriedade feliz” e argumenta sobre sua importância para o desenvolvimento de seres humanos responsáveis e íntegros.
– “Quando eu tento ir ao mais profundo dessa questão da sobriedade, acorda em mim a sensação que parecem ter tido os primeiros seres, que proclamavam que nada lhes pertencia. (…) a gratidão face a prodigalidade da terra era natural. Essa sobriedade na abundância é uma lição de nobreza. *2
Em “Consciência de viver” escrevi sobre São Francisco e sua pobreza e austeridade…não eram simplesmente um ascetismo exterior, mas algo de mais radical: uma renúncia a fazer da realidade um mero objeto de uso e domínio. *3
E aparece uma imagem da praia de Maragoji, em Alagoas onde estive em férias muitos anos atrás. O mar de lá tem uma maré que chamam de“maré baixa”.
Ele recua tanto que desaparece no horizonte. E este mar desnudo, se descobre e mostra sua essência e humildade. E nós como nos desapegamos…tornamos simples a vida e nossos afetos, nossos conceitos e certezas, como nos desfazemos de nós para descobrir o que realmente somos?

A sobriedade feliz nasce no equilíbrio da vida. Na medida sábia de nossa existência que não se exime da responsabilidade de iluminar o planeta. Mesmo na nossa ínfima e imperceptível medida.
Propósito da filosofia- Atingir a felicidade e o prazer (diferente do hedonismo) aqui como o prazer do sábio, entendido como quietude da mente e o domínio sobre as emoções, portanto sobre si mesmo. É o prazer da justa medida e não dos excessos.*1Epicuro – P
*2Pierre Rabhi – “Em direção à sobriedade feliz”
*3Encíclica Laudato Si´- Papa Francisco
Ina Rodrigues
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