Yehudi Menuhin escreveu sobre Pierre Rabhi: “Com suas próprias mãos ele levou a vida às areias do deserto. Este homem simples e são, um ser transparente cuja beleza poética da linguagem revela uma ardente paixão, é capaz de frutificar as terras empoeiradas com seu suor, com um trabalho que restabelece a cadeia de vida que nós interrompemos constantemente.”

Agricultor, escritor, professor, poeta, Pierre Rabhi é um homem ligado à terra, que pensa que ela é um bem comum, que devemos repensar o modelo de agricultura estabelecido no mundo, pois a natureza tem recursos suficientes para que cada ser humano tenha o que é necessário para sua existência. Entretanto, é preciso saber o que fazemos com esta fartura generosa.
“Hoje, uma parte importante da população não tem acesso a alimentação enquanto os lixos das sociedades prósperas transbordam”, de forma que defende que esta lógica precisa ser revista. Um dos pioneiros da agricultura orgânica na França escreveu inúmeros livros, entre eles: “Semeador da Esperança”, “O canto da terra”, “Sobriedade feliz”. *
Também nos lembra Manoel de Barros, chegando aos 80 anos, mas sempre repleto de energia, em ação por “mais solidariedade, mais fraternidade, mais harmonia com o cosmos.”
Pessoas que semeiam a esperança, a alegria, a coragem são pessoas como nós. Algumas estão muito perto, podem ser nossos vizinhos, amigos ou, como Pierre Rabhi, argelino, filho adotivo francês, muçulmano, cristão e transformador.

Em momentos de perplexidade e crise descobrimos comunidades que testemunham uma maneira de viver mais sóbria e o resultado é surpreendente, como na ilha de Ikária, que em pleno momento de grande crise na Grécia atual, sua população possui uma longevidade espantosa e uma qualidade de vida que se baseia na cooperação e na simplicidade. *1
E como nos ensinam os grandes mestres, devemos nos lembrar de quem somos. Descobrir o óbvio, o que está na nossa frente, mas que não vemos não sei porque.
Contemplar a vida. Incluir o cuidado com as outras pessoas, curar a mente, o coração e comer de tudo um pouco.
As coisas começam em nós.
Ina Rodrigues
* “Entre nós”, Mazé Torquato Chotil
*1 “Documentário Little Land”, N. Dayanda, 2013
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