Sou um ser constituído pelo olhar de outro, antes de mais nada uma criança
que foi concebida e encaminhada para a vida como tendo que ser alguém que precisava fazer tudo bem feito, tendo as obrigações como linha mestre da vida e o prazer um acaso eventual e meritório. O sexo era para os meninos e as meninas só deveriam pensar nisso depois do casamento.
Nascida menina tinha que cumprir um papel que cabia as meninas da época, sentar direito, falar pouco, bordar, lavar louça, arrumar camas, tirar notas altas.

Sou hoje do gênero feminino, nem sempre fiz tudo certo ao longo da vida, repeti de ano uma vez e foi muito interessante, trabalho no que gosto, mas sei que o prazer é importante para uma vida saudável. O sexo é muito bom, faz bem para a pele, humor e qualidade de vida, não tem hora e pode tudo, desde que, não vá ferir ou humilhar o próximo.
Amanhã serei apenas quem eu posso ser, respeitando meus desejos, minhas limitações físicas, baixando expectativas de perfeição e acertos obrigatórios. O sexo quando eu quiser e se quiser, bem como com quem eu quiser.
O tempo me faz madura para dizer o que penso e para trilhar o caminho que me faz bem.
Pensar que na vida tenho direito à vivê-la como o tempo me ensinou; como seria o melhor pra mim, portanto, é uma dádiva de quem chegou na idade avançada.
Poder ser, como ser que pode!
Por: Albangela C. Machado – Psicanalista
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