Em artigo anterior, chamei a atenção dos amigos leitores sobre a necessidade
de se fazer backup das informações do computador, sejam elas pessoais ou empresariais. No texto, ressaltei essa necessidade com pequenos continhos de fadas, tentando minimizar o choque do problema com brincadeirinhas.
Mas, em tempos de igualdade de gêneros, surgiu mais um conceito novo (todo dia aparece um!), o ciberataque, que é uma invasão clandestina de computadores privativos, efetuados por hackers, os conhecidos piratinhas da informática que, normalmente, são “baixinhos”, com pouca idade, digamos, como o seu sobrinho que está no Ensino Fundamental (tô brincando não!).

Em maio deste ano de 2017, pelo menos 74 países foram alvo de ciberataques causados por um ransomware (vide à frente) chamado “WannaCry”. Uma falha do Windows permitiu que este vírus sequestrasse dados de empresas importantes e inutilizasse seus sistemas, forçando-as a pagar altos valores pelo ”resgate” das informações. As empresas atingidas foram diversas companhias ao redor do mundo, além de hospitais públicos e órgãos do governo.
No Brasil, as entidades atingidas tiraram seus sites do ar como ”medida de prevenção”. Algumas delas como a Petrobras, Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Tribunal da Justiça de São Paulo, Sergipe e Rio Grande do Norte e Ministério Público de São Paulo emitiram comunicados de esclarecimento ao público.
No final de junho, um ciberataque provocado pelo vírus “NotPetya”, que começou na Rússia e na Ucrânia, afetou milhares de computadores no mundo.
Na última semana de Outubro cerca de 200 entidades foram afetadas pelo vírus “BadRabbit”, principalmente na Rússia, mas também a Ucrânia e, em menor medida, Turquia e Alemanha. As vítimas instalaram manualmente, sem querer, o ransomware que foi introduzido por um programa de instalação do software Adobe Flash.
Na Ucrânia, o vírus perturbou o funcionamento dos sistemas informáticos do aeroporto internacional de Odessa.

O que é um ransomware?
Um ransomware é um vírus da categoria malware, isto é, que causa danos. Ele acessa sistemas clandestinamente, sequestra os dados (daí o nome ransom , que significa resgate), criptografando, com códigos sofisticados, todas as informações do usuário, podendo, também, danificar o sistema, isto é, os programas. Em seguida, cibercriminosos (não falei que aparece conceito novo a toda hora?) cobram o resgate dos dados, normalmente em criptomoedas (tipo de moedas digitais, mais uma coisa nova), por exemplo, Bitcoins [conceito criado por Satoshi Nakamoto (pseudônimo), em 2008, com operações financeiras iniciadas em 2009, cujo protocolo original foi iniciado pelo Bitcoin Core, o grupo original de desenvolvedores)] ou outras operações não rastreáveis. Outros exemplos de criptomoedas ou moedas virtuais: SwapToken, Ethereum, Monero, GayCoin, DimeCoin, Solaris, NewYorkCoin, Core, Dash, Segwit2x, Cashe, Metronome e DevCoin.

Parêntese aqui: Os irmãos Winklevoss, gêmeos multimilionários americanos que rivalizaram com Mark Zuckerberg na fundação da rede social mais famosa do mundo, têm uma empresa de investimentos chamada Gemini, que fornece informações como preço e volume de negociações de moedas digitais à CBOE (Chicago Board Exchange) Holdings, maior bolsa de valores do mundo em volume de negociações e líder mundial em derivativos financeiros.
Como se proteger do ciberataque?
Você pode estar se perguntando: se mesmo uma empresa de nível mundial pode ser atingida por um vírus desse, como posso proteger a minha “lojinha”? A dica eu já dei: FAÇA BACKUP! Proteja seus dados e mantenha o seu software constantemente atualizado. A tal falha do Windows, que permitiu a entrada do vírus em diversas máquinas, já havia sido corrigida pela Microsoft, no entanto nem todos os usuários fizeram a atualização, o que deixou uma brecha para os invasores.
Outra solução para esse tipo de problema está no backup para a nuvem, a melhor maneira de garantir que informações estejam completamente seguras, já que os arquivos são sincronizados com a nuvem de forma automática e externa. E mesmo se sua máquina for infectada por ransomware ou outros vírus, com o backup na nuvem, todas as informações e dados de seu sistema são facilmente recuperados.
E o que é “nuvem”?
Este é um conceito novo (mais um!) mas fácil de entender. A nuvem é um conjunto de servidores, isto é, máquinas dedicadas a um certo serviço, oferecido por uma entidade ou órgão qualquer (por exemplo, a Microsoft, o Google etc), com enormes espaços para armazenamento de arquivos, a muitos quilômetros de distância de você. Onde se localizam você não sabe, mas estão disponíveis para os usuários guardarem informações e programas.
Há empresas que disponibilizam sua nuvem gratuitamente, outras não. Aí fica ao gosto do freguês.

Se você sabe como salvar, editar e acessar um arquivo em seu computador, então saberá como fazer as mesmas coisas em arquivos guardados na nuvem, com a vantagem de que não ocuparão espaço de sua máquina e de poder acessar esses arquivos de onde estiver, além de compartilhá-los, facilmente, com outros usuários. A diferença é que tudo isso é feito pela Internet. A moda, agora, é o cloud computing (computação em nuvem).
O armazenamento em nuvem funciona tanto para o trabalho quanto para sua vida pessoal. Aquelas milhares de fotos que você tira, juntando cada vez mais todos os dias, e que ficam acumuladas em celulares e máquinas fotográficas digitais chegam a lotar o seu computador ou o seu celular. Envie tudo isso para a nuvem e libere o seu espaço em memória.
O mesmo se aplica para arquivos do seu trabalho, como planilhas, textos, apresentação de slides, sem falar nos programas e aplicativos. Procure um provedor cloud para a sua empresa.
Muitos programas que são acessados pela nuvem, como editores de texto, planilhas eletrônicas, softwares de gestão e muitos outros você não precisa instalar nem atualizar. E como sua empresa não precisa mais de um servidor enorme, os custos de compra e manutenção de equipamentos vão diminuir enormemente. Sem falar na atualização de tudo isso, que fica a cargo do pessoal “da nuvem”, e que faz com que seus custos despenquem enormemente.
Usar a nuvem, hoje, economiza muito espaço em nossos equipamentos, e, se usada adequadamente, facilita muito em casos de emergência como esses ciberataques.
Note que “andar nas nuvens”, hoje, tem uma outra conotação.
Mas não se apoquente. Para não perder o bonde da história e conseguir acompanhar estas velocíssimas mudanças da moderna civilização digital, pelo menos leia uma publicação especializada, para poder tomar contato com tanta coisa nova.
Para quem não sabe, existe o CGI.BR, o Comitê Gestor da Internet no Brasil, do qual faz parte o NIC.BR, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br (que nome!), em cujo site ou “sítio”, como querem alguns puristas do vernáculo (dê um google em nic.br), tem uma aba de PUBLICAÇÕES. Vai lá e clique em Revista (também tem Livros). Dê uma lida e fique mais ou menos atualizado e não tenha medo de um ou outro termo técnico.
Quanto às criptomoedas, se você acha que é bobagem, espere que, logo logo, o dinheiro normal (as chamadas moedas fiduciárias) vão sumir e só vamos trabalhar com dinheiro digital. Vem aí um cartão para transações desse tipo.
São as mudanças que, nesses cibertempos, com ciberproblemas, exigem cibersoluções. Boa criptonoite e cibertchau, mesmo!
slaviano.n@gmail.com
Club50mais




